sábado, 30 de maio de 2015

Permita-me



Dá-me o teu olhar,
Fite-o no meu;
Dá-me os teus lábios,
Embebede-os nos meus;
Dá-me o teu corpo,
Enlace-o no meu;
Dá-me o teu coração, 
E entregue-se ao amor meu!

Olhos



Refletem o que pode ser revelado.
E o psíquico, em forma pomposa
De uma orquídea esplendorosa,
É desejado pelo beija-flor,
Consciente,
Que o inconsciente,
Néctar,
Deveras, prefere ocultar...

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Índia

Sou índia
Sou terra
Sou rio
Me encontro na mata
Nela me entoco e protejo
Me banho no igarapé
Dele eu bebo e sustento
Meus olhos ingênuos e curiosos
Pelo novo se perdem
Maculados pelo estranho
O conhecer rompe a pureza
Nativa outrora
Agora sou “civilizada”
E de que vale?
E para que serve?
E com que fim?
Despejar em minha mente vaga
Todo lodo “racional” do dia-a-dia
Estuprar a paz que eu encontrava na floresta
Por um punhado de tecnologia e epidemias
Vale a pena me arrancar do seio da natureza
Para escravizar-me no mundo real dos vícios?
Prefiro a poesia da selva intocada
Do que a podridão disfarçada
Da sociedade educada

terça-feira, 20 de maio de 2014

Lembranças de Oriximiná

Oriximiná não foi a terra em que eu nasci
Mas foi onde meus pais escolheram pra viver
Lá cresci, brinquei, estudei, amigos eu conquistei
Tinha o bole-bole de caroço polido de mucajá 
Pular elástico no intervalo das aulas era a sensação
A curumizada fechava a rua para brincar de bandeirinha
Depois de muito correr e suar tinha que tomar banho pra tirar o pixé
Os meninos atentados de boa pontaria balavam as osgas e os calangos 
Tomei açaí com farinha de tapioca torrada de quebrar o dente
Tacacá na cuia com bastante camarão, folha de jambú e tucupí
Tacava-lhe farofa amarelinha na maniçoba quentinha
O cheirinho do caribé com manteiga não me sai da memória
Os bolinhos de crueira ou de farinha fritinhos na hora acabavam rápido 
O famoso mingau de banana grande com leite enchia a gente
Cada ruída de tucumã uma colher de baguda com café
O abacate era amassado com açúcar, leite em pó e farinha
Sem falar no suco de cupuaçu com caroço
Amassado com as mãos, feito pela mamãe
No vinho fresquinho de bacaba e de muruci
E pra matar a broca ata, abil, pitomba, uxi, ingá ou mari-mari
Pupunha cozida com sal e nem pensar em comer o coco do caroço
Porque deixaria quem comece burro de lascar o casco da canoa
Na banquinha de vendas do canto a pedida certa era flau com berlinda
Na Tia Santinha não podia faltar o bolo de macaxeira e o croquete
No lanche da manhã ou da tarde a famosa, única e original piçoleta
E para os mais chegados o beiju peteca, seco ou de tapioca lá da feira
Ah... castanha cristalizada nas festas quanto mais comia mais queria...
Tu é leso é? Comidas como as de lá não se vê pelas bandas daqui
Calderada de tucunaré e na brasa com pimenta o famoso tambaqui
Axi que o desfiado de pirarucu seco e o piracuí não são tão pitiús
Mas tem peixe que só pode se comer assado e na hora, como o mapará
Ta bem na foto quem tem o prazer de degustar os sabores do Pará
Espiar o pôr do sol na margem do rio ou de dentro de uma embarcação
É uma imagem ímpar de beleza sem igual que enchem meus olhos d’água
Tibum... tchobou... dentro do igarapé gelado da saudosa Laudica
Tibum... tchobou... na praia do Caipurú, Mirizal e Ponta do Violão
Tibum... tchobou... na cachoeira do Jatuarana a beira da estrada
Tibum... tchobou... na orla do Iripixi ou no trapiche da cidade
Tibum... tchobou... na Paragás ou na Barreirinha
Todos os anos grandes festivais na Fazenda Tucumã
Os bailes nos clubes da cidade: Natureza, Bancrévea e Santo Antonio
Eram embalados pela Banda Frisson ou pelas aparelhagens
Lembro-me da lambada, do tecnobrega, do carimbo e dos festivais
O do Nicolino era o mais falado com danças inesquecíveis
Apreciar na Praça do Centenário o mirante, os peixes e o come pinto
Vê se me erra aquele que só fala budida na vida pra se aparecer
Quem é do Cachoeri fala alto, rápido, atropelando as palavras 
Mas para, mas vixe, mas credo, mas oh, mas quando expressões tão vivas
Em medidas o “P” não é de pequeno, e sim de purrudo
E o “G” não é do tamanho grande, e sim de gitinho
Quem sai de Orixi tiquinho não pode voltar cheio de pavulagem
Se não vai servir de caçoada e vai ter que se orientar
Di rocha quem ficasse no sereno ficaria resfriado
E ainda tem quem diga que manga com leite dava dor de barriga
Gostoso mesmo é ela apanhada verde e comida com sal
Os papudinhos da rua sempre altos de cachaça
As faladeiras sempre de plantão e eu capava o gato
Quem nunca teve medo de mucura ou de mata-mata?
Quem nunca correu de assombro da loira do Tonhão?
Quem nunca ficou apavorado com os rezadores de alma?  
Seja curumim ou cuiantã, ribeirinho do interior do interior, caboclo da cidade
É povo bom e hospitaleiro que se espoca de tanto rir quando a piada é boa
Ta bom pra ti parente? Hein manozinho? Humm humm paresque ta...
Pinduca, grande figura popular canta “Terra boa é o Pará”
Deixei com pesar meu chão, mas um dia quero voltar pra matar
Tantas saudades que sinto de lá, do meu grande e suntuoso Pará

sábado, 17 de maio de 2014

Andando no escuro

Não sei discernir o claro do escuro
Só enxergo o nada
E tem cor de coisa nenhuma
Andando sempre no vazio
Como se não houvesse obstáculos
Só sei que há entraves quando caiu
E me levanto devagar
Com medo de dar outro passo
Receando o terreno desconhecido
As vozes são tão indiferentes
Além de cego me sinto invisível
Não como um super-herói com poder de sumir
Mas como uma folha seca caída na calçada
Sem a utilidade de virar adubo
Muitos enxergam sem ver nada
Muitos veem sem enxergar coisa alguma
Acordar, abrir os olhos sem ver o horizonte
Quantos dias mais...
O tempo passa e meu relógio continua parado
Em pé estou frente à parede
Sem galgar
Sem piscar
Sem lacrimejar
O retrocesso é via que me conduz

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Mundos entre mundos

Dentro do meu mundo existem vários mundos
E nenhum deles eu habito
Mundos entre mundos repletos de gente
Pessoas felizes, em êxtase, sorridentes
Ao serem tão alegres nem reparam ao redor
Meu derredor é triste
É triste
Sempre só, só e triste
A única voz que ouço é o meu murmuro
Apenas minha sombra se reflete no chão
Minhas lágrimas, não insólitas, quentes vagueiam
Nem tenho a liberdade da natureza para contemplar
Meu olhar se cansa de procurar por um resquício de mim
Então, fita no vazio e permeia mundos entre mundos
E acha o nada
Meu nada é tudo que tenho
É o que está em mim
É o que entra
É o que sai
É o que fica parado

domingo, 17 de novembro de 2013

Astro hollywoodiano

O natal foi personalizado: 
Árvores enfeitadas,
Muitas luzes,
Trenós,
Renas,
Reunião das famílias,
Presentes e presentes,
Ceias requintadas,
E a reestreia do filme
De maior sucesso da época natalina,
“Natal do Papai Noel”.
Outro filme também entra em cartaz,
Mas não faz tanto sucesso,
“O nascimento do menino Jesus”.
E o Oscar de melhor ator
Sempre fica com o astro hollywoodiano,
Papai Noel.
Afinal, ele consegue a cada ano
Impressionar e cativar o público
Fazendo do natal
Uma “grande festa”!

(Heterônimo - Colibri Lunar)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Avante...

A sabedoria liberta transforma, dar-nos azas cor-de-rosa que contrastam com azul plácido do céu do conhecimento infinito. É através dela, e somente dela que podemos assumir quem somos, de fato, ela nos direciona o caminho a seguir. 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Incógnita

Uma decisão é difícil tomar
Uma escolha implica em renegar outra opção
A dúvida atormenta meus pensamentos
Dois caminhos distintos a seguir
Qual devo escolher?
A dúvida é cruel
A dúvida me atormenta
Dia
Noite
Um olhar fixo num horizonte incerto
O certo é a minha dúvida
Aqui ou lá?
O que devo fazer?
Uma escolha descarta a outra
Não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo
Pra onde devo ir?
Devo ir?
Ou fixar raízes é o melhor a fazer?

sábado, 19 de janeiro de 2013

Último suspiro

Um passarinho sem ninho e sem céu
Bico e asas quebras
Rastejando pelo chão úmido da floresta escura
A espera da morte certa
Antes sua vida tinha
A luz do sol
O verde da mata
A liberdade do voo
O aconchego do ninho
Oh, quão breve é a vida
Quão certo é nosso destino
Da vida para sobrevida
Direto para a morte
Então, ele para, suspira e morre

Retrocesso

Não se pode colar um vaso quebrado
Não dá para reconstruir o passado
Volver e consertar os erros
O que machucou
O que feriu
O que fez chorar
Só um coração torto
Só uma alma doente
Só uns poucos sonhos mortos
E na penumbra
E no esquecimento
Me esguio e me escondo
Em casca me envolvo
E volto a ser ovo

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


Eu não entendo o ser humano. Como uma pessoa pode destruir aquilo que está pronto ou que leva anos para se construir, e em apenas alguns segundos se consome a pó através da mão humana? É incompreensível para mim que uma pessoa mate, roube, esfole, moleste, agrida o próximo por causas tão banais, por coisas materiais, por “poder” de determinar, mandar e desmandar, usurpar e surrupiar, corromper e ser corrompido... Ah, o poder é tão desejado, e por ele muitos perdem o juízo, suas vidas, sua alma... Por que o homem sempre quer mais do que possui ou do que pode ter? Existe espaço para todos, existe alimento para todos, existe luz para todos, só não existe discernimento para todos compreenderem que a vida é uma só, que somos iguais, sofremos da mesma forma dos demais, não existem pessoas especiais, não existem diferenças, dó pó fomos feitos e a ele retornaremos seguindo um ciclo comum a todos nós (nascer, desenvolver e morrer). Nós não somos criadores da vida e nem cabe a nós decidirmos quem deve viver ou morrer. Por que há tantos miseráveis se o planeta dá meios para todos sobreviverem? Por que há tanto preconceito sufocando o respeito mútuo entre as pessoas? Por que o dinheiro para alguns vale mais do que a própria vida, família, amigos e lazer? O ser humano sempre quer ir além, mesmo que para isso ele pise em outro ser humano o usando como degrau...

(Alice Cristina - 11/11/2012 – às 16h16min h)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Refexão


Eu vivi
Eu andei
Eu chorei
Eu sufoquei
Eu não corri
Eu não deixei de sorrir
Eu me afoguei
Eu suspirei
Eu parei
Eu voltei
Eu olhei para trás
Eu não me vi
Eu não me achei
Eu me pergunto onde eu fiquei
Eu mesmo respondo
De onde eu nunca saí
Eu aqui sempre parada
Eu aqui dentro de mim
Eu aqui sem nada
Eu aqui sem mim

domingo, 8 de abril de 2012

Hoje sei amar
Com toda a força que tem o amor
Hoje sinto ele pulsar em meu peito
Sim, ele existe
E vive dentro de mim
A florir meu peito
A fazer feliz meu canto
A harmonizar minha vida
A acalmar meu espírito
E enche-lo de luz
Luz do amor

Viver e amar
Vivo e amo
Sim amo
E que quem eu amo
Me ama também
E isso é maravilhoso
Viver e amar
Viver e ser amado
Viver para o amor
E viver com amor
Sim eu amo
E sou amado
E isso é maravilhoso

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

LUTO

Obrigada meus amigos, por vocês estarem comigo nos momentos de dor que venho enfrentando, pelo falecimento de minha querida mãe! A amizade se firma na rocha e a nossa com certeza está bem alicerçada. Um forte abraço a todos!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

LUTO

Pelo falecimento de minha mãe, Isanetis Canto Cardoso.
Uma mulher guerreira e honesta de quem eu me orgulharei sempre! Amo-te, mãe querida!
(Nascimento: 21/04/1945 # Falecimento: 20/12/2011)